
Quarta-feira, Março 07, 2012
"se você pretende saber quem eu sou, eu posso lhe dizer. entre no meu carro, na Estrada de Santos, e você vai me conhecer. você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim e que na minha idade só a velocidade anda junto a mim... só ando sozinho e no meu caminho o tempo é cada vez menor. preciso de ajuda. por favor, me acuda... eu vivo muito só. se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo, eu piso mais fundo, corrijo num segundo... não posso parar. eu prefiro as curvas da Estrada de Santos onde eu tento esquecer um amor que eu tive e vi pelo espelho na distância se perder. mas se o amor que eu perdi eu novamente encontrar, as curvas se acabam e na Estrada de Santos não vou mais passar. não, não vou mais passar..."
Erasmo e Roberto Carlos.
Thiago Dantas às 4:19 PM
Sexta-feira, Fevereiro 10, 2012
As sardas alaranjadas que a menina ostentava no rosto, naquela época, ainda não havia sido escondidas pela maquiagem. O sorriso, assim como as marquinhas na pele, era verdadeiro e preenchia todo o rosto. Ela era linda.
Ele, por outro lado, passava longe do que se poderia chamar de bonito. O rosto comum, coroado com o nariz avantajado, era emoldurado por um cabelo que parecia ter vida própria. O mais curioso, curiosamente, não era a aparência. Era como ele parecia não se importar com aquilo.
Ninguém entendeu muito bem como aquela garota acabou com aquele mocinho estranho. O constraste entre eles era tão acentuado que o rapaz temia que tudo fosse uma grande farsa. Ou um sonho. De certa maneira, era, era sim um sonho. Eram, mais do que amantes, amigos. Dividiam segredos. Trocavam carinhos. Escancaravam confidencias.
Era fato que um fazia a vida do outro melhor. E quem via de longe sabia. Assim como eles. Eram feitos um para o outro. Quando alguém perguntava como eles se conheceram, os dois trocavam olhares e diziam que foi o silêncio que os aproximou. Ninguém se convencia com a resposta, é claro, mas a garota sardenta e o menino tímido não podiam replicar de outra forma. Era verdade.
Foi graças ao silêncio que deram seu primeiro beijo. E foi assim, sem combinar ou dizer nada, que transaram pela primeira vez. Os corpos se entendiam. Por mais que gostassem de falar - e eles gostavam -, as palavras pareciam detalhes. Mais ou menos como enfeites. Poderiam passar a vida quietos que não faria diferença. E não, não era só sexo. Poderiam passar a vida sem se tocar que daria no mesmo. Aliás, poderiam qualquer coisa... Desde que estivessem próximos.
Por sorte (pelo destino?), eles estavam.
Thiago Dantas às 1:34 PM
Sexta-feira, Dezembro 09, 2011
E aí ela me perguntou porque diabos eu não saía de sua cabeça. Olhei para baixo procurando palavras e levantei o rosto com um sorriso meio sacana. Parafraseando Chico, disse-lhe que eu não estava em sua mente, mas no teu corpo, igual tatuagem. Ela corou. Continuei falando enquanto me aproximava. Quando cheguei perto, houve o silêncio. Não, não. Não foi bem isso.
Quando cheguei perto, houve o beijo.
Thiago Dantas às 9:39 AM
Segunda-feira, Novembro 21, 2011
Fazia tempo que não se exercitava.
Sua rotina havia se tornado tão cômoda que já não era necessário andar depressa. A antecedência calculada evitava atrasos.
Por estar desacostumada, sentiu o músculo teso. Tinha esquecido que podia sentir dor.
A contração do corpo e o ritmo acelerado das batidas de seu coração indicavam que ela estava viva. Começou a correr mais depressa. As pernas bem definidas mal tocavam o chão. Sentiu o suor escorrer pelo rosto. Levou as costas da mão à face.
Demonstrava sinais de cansaço. Estava ofegante. Sentia sua cabeça fervilhar. A circulação do sangue era tão fluída que seu ouvido zunia.
Mesmo assim, não diminuiu o ritmo. Continuou correndo, com afinco, com vontade. Não podia parar. Não. Não agora.
A vida já estava quase ali.
Thiago Dantas às 1:18 PM
Quarta-feira, Novembro 16, 2011
Trabalho mais ou menos sete horas, sete horas e meia por dia, em frente a um computador. Sento de maneira displicente, todo torto, durante a maior parte do tempo. De vez em quando me ajeito na cadeira e sento da maneira ereta, com meus pés cravados paralelamente no chão. Se levanto a cabeça, avisto janelas. Por elas enxergo a copa de uma árvore. Sempre fico com a sensação de que a vida de verdade acontece lá fora.
Depois me lembro que a vida é só isso aqui mesmo.
Thiago Dantas às 1:03 PM
Embora ela não quisesse dizer adeus, aquilo era uma despedida. Uma despedida fria, mas ainda sim uma despedida.
Pensou com bastante calma em cada palavra que colocaria no papel. Segurou a caneta como se ela fosse um bem precioso e frágil. A caligrafia não era das melhores (mais tarde, ele desconfiaria que aquela letra nem era dela), e as palavras tremidas quase não marcavam o papel. Parecia que ela sussurrava.
Evitou dizer "te amo". Mesmo assim, beijou o papel, sem batom, sem nada, na esperança de que ele pudesse adivinhar o gesto. Rapidamente enfiou a carta no envelope e correu para os Correios.
Pronto. Estava feito, estava acabado. Agora o que restava era voltar para casa e encarar o que sobrou. Aquela história, ou melhor, sua história, finalmente tinha chegado ao fim.
Sem saber muito bem o que fazer, seus pés a guiaram sem pressa. Quando quebrou a esquina e viu sua casa, ficou surpresa ao perceber aquele moço de capuz e moletom sentado no batente. Por um momento ela chegou a pensar que aquele rapaz fosse ele. ... Mas como poderia? Não, não era. Abaixou a cabeça e continuou andando. Ela já não tinha esperanças, por isso se surpreendeu quando ele levantou e chamou seu nome. Contrariando todas as expectativas ele estava lá, esperando por ela.
Foi nessa hora que o tempo parou. Congelou mesmo, assim do nada. Por um instante ela pensou que a felicidade seria possível. Depois lembrou que já havia se despedido, pra sempre. E que ele estava ali só porque não sabia disso ainda. Teve vontade de chorar, mas, ao invés disso, apenas sorriu.
Thiago Dantas às 12:28 PM
Segunda-feira, Novembro 14, 2011
Tem um texto que Juliana Lobo escreveu em 2005 que eu nunca esqueci. Ela começava falando que um moço pediu para ela voltar a escrever. E que ela não sabia mais usar a terceira pessoa. Ela pensa que talvez tenha crescido e ficado séria e carrancuda. Mas aí ela para, respira e se pergunta "e quem disse que existe um rumo só?".
E ela continua. Na terceira pessoa. Dizendo a mesma coisa. E terminando com as palavras "ótimo começo. Ou melhor, ótimo recomeço".
Lembro que quando eu li eu senti uma coisa grandiosa. O texto crescia, sabe? Como se ela começasse monocromática e depois segurasse todos os lápis de cor com a mão fechada, colorindo tudo, com força. Achei bonito. Dava aquela sensação de que recomeçar era possível. Mas o que mais me chamou a atenção nas palavras de Juliana era a barreira invisível que ela destruía: a fantasia e a realidade estavam ali, juntas.
... Já faz um tempo que sinto vontade de escrever. Eu acho que me entendo melhor quando me vejo escrito. Ao contrário de Juliana, ninguém me pediu para voltar. Voltei porque eu quis.
Thiago Dantas às 12:05 PM
Quarta-feira, Junho 15, 2011
A menina bonita estava sentada, meio serena, meio apreensiva. Ela parecia tímida. Mesmo assim, o movimento de seus pés denunciavam sua vontade de dançar. Ela levantou, foi até o meio da pista, e começou a girar. Seus gestos a princípio eram simples, contidos. E quando ela fechou os olhos, a simplicidade dividiu espaço com outras caracteristicas. Conceitos abstratos como liberdade, encanto e leveza ganharam forma na aba de seu vestido. E ela girou e girou e girou, cada vez mais rápido, cada vez mais graciosa.
E aí a música acabou.
Thiago Dantas às 1:00 AM
Domingo, Novembro 14, 2010
Uma foto antiga, amarelada. Vejo a data e tento lembrar daquele dia. Ah, sim. Agora me lembro. Acordei mais cedo do que de costume. Não consegui dormir. Tive um sonho engraçado em que dinossauros conviviam com os humanos. Ainda estava escuro quando fui à cozinha tomar um copo de leite. Depois disso tudo as horas passaram tão depressa que as lembranças se misturaram. Foi nesse dia em que briguei com meus pais? Não, não foi. Almocei com minha irmã e inventei qualquer desculpa pra sair. Aí, finalmente, encontrei você. Tão linda. Ainda consigo ouvir seu riso e sentir seu cabelo batendo em meu rosto enquanto corriamos. Pensei que você não teria coragem de subir comigo na roda gigante. Você sempre teve medo de altura. Sua mão estava gelada, suando. Mas seus olhos... Ah, seus olhos. Eles emanavam uma coragem que ultrapassava qualquer tipo de barreira. Lá do alto a gente olhou as pessoas, pequenininhas. Levantei os olhos e enxerguei sua boca. Depois, já no chão, tiramos uma foto, essa foto. E pensar que a foto foi tudo que sobrou. Quase tudo. Porque ainda tenho aquele dia na memória. E porque ainda sinto saudade.
Thiago Dantas às 12:44 AM
Sabe quando você desiste do que você quer?
Thiago Dantas às 12:34 AM
Domingo, Outubro 10, 2010
Acordei com uma vontade de dormir. Dessa vez nem sei se é tristeza. É só cansaso mesmo.
Não que eu esteja feliz. Sei lá. É tão estranho. Parece que eu não tô sentindo mais nada.
Thiago Dantas às 11:15 AM
Três da manhã. Três e um. Nem lembro há quanto tempo eu não ficava acordado assim. Lembro que quando eu tava na quarta série eu tive depressão. Ou pelo menos eu acho que era. Antes mesmo dessa coisa "estar na moda" (vai me dizer que em 2003, 2004 não estava?), eu sentia uma tristeza incomum - não via sentido nas coisas e escrevia frases do naipe "não sou feliz, sou triste" no meu caderno. Lembro bem disso porque o Edmilson, falecido esposo da Dilza, minha tia, pegou o papel uma vez e ficou rindo meio que debochando. Era tão meu aquilo, fiquei com vergonha. Acho que foi aí que aprendi a não demonstrar o que sinto. Ou não, né. Mas vamos pensar que sim, porque aí fica mais fácil estabelecer um ponto de partida para começar essa jornada que eu chamo de autoanalise (junto ou separado?).
Vamos abrir um parenteses para dizer que a última frase foi escrita com a voz do Pedro Bial ecoando na minha cabeça agitando essa nave louca chamada vida, uhul! Geração deboche: yes, I'm.
Voltando ao assunto (que ainda não sei bem qual é), quando eu estava na quarta série eu tinha insônia. Eu acordava, pegava um caderno e um lápis, ia para a cozinha e desenhava. Criava personagens e definia suas personalidades, embora eu nunca conseguisse colocá-los num mesmo quadro e desenvolver roteiros. Mas a ideia tava ali. A Denise acordava brava com o barulho do lápis no papel, veja só. Na época eu nem gostava dela. Sentia falta, eu acho, do que a gente tinha. Explico: ela é quatro anos mais velha que eu e fomos criados tal qual irmãos. Brincavamos juntos na rua e coisa e tal. Quando ela cresceu, perdi minha amiga. Ela tinha virado só minha tia chata que se importava mais com os amigos e em parecer adulta do que comigo. Hoje em dia a gente se dá bem. Bastante, eu diria. Conversamos sobre as coisas. Não todas, claro. Hoje ela perguntou se eu tava namorando ainda. O que dizer? Mudei de assunto e fiz piada.
Tô ficando com sono e não faço ideia do que eu queria dizer quando comecei a escrever. Ah, lembrei. Eu falava sobre ficar acordado até tarde fazendo coisas. Era bom. Eu pensava na vida, me sentia em contato comigo. O quão piegas e estranha essa frase soa? Foda-se, era assim. (Sendo honesto, esse "foda-se" entrou como um ato de rebeldia, só pra causar mesmo. Na vida real não costumo falar palavrão. Nada religioso ou ético, só não uso e nem sei porque.) Então eu desenhava. Escrevia. E quando eu tinha pesadelos, escrevia páginas e páginas coisas como "Jesus me ajude". Era macabro.
Falando nisso, nem lembro como eu perdi a fé. Eu era tão temente a deus. Hoje em dia nem consigo escrever o nome dele com letra maiuscula. Mas ó, vou contar um segredo: quando as coisas vão muito muito muito mal para quem eu amo, que nem para a Mariana, eu meio que lembro Dele inconscientemente. Aí, na mesma hora, lamento por não acreditar. Seria tão bom pedir para que ele fizesse as coisas melhores.
Voltando. De novo. Escrever à noite é bom. Meu corpo tá cansado, mas não quero dormir. Todavía, preciso.
Senti saudades disso aqui. Enfim um blog para chamar de meu.
Thiago Dantas às 3:19 AM
Hoje à noite eu estava conversando com o Renato no MSN. Dei um conselho para ele tão bom mas tão bom que eu mesmo decidi seguir. Disse que ele deveria reservar um tempo para escrever: sem cobranças, sem se preocupar com nada. Ser só ele e o editor de textos. Talvez uma música. E aqui tô eu seguindo - ou tentanto seguir - meus próprios conselhos.
Thiago Dantas às 2:56 AM
Segunda-feira, Maio 24, 2010
Eu tinha a impressão que já tinha vivido todas as emoções do mundo e que a vida após os 18 seria uma repetição dos momentos já sentidos. Mas veja só como eu estava errado... nas últimas semanas, dia após dias, tenho sentido uma tristeza crescente. E hoje posso dizer que é o dia mais triste da minha vida.
Tô sem ar. E não é por algo bom. É só tristeza. Aliás, não é só tristeza. É a vida mesmo.
Thiago Dantas às 11:21 PM
Sexta-feira, Maio 14, 2010
E aí tem essas coisas que acontecem e tiram seu ar. Esse tipo de coisa que é tão intensa e tão bonita que você jamais imaginaria receber. E que só de pensar faz você chorar tanto que sua garganta seca e a passagem do ar fica estreita. E aí você fica sem ar.
Thiago Dantas às 6:37 PM
Domingo, Maio 09, 2010
Ontem eu sonhei com você. Foi um sonho bem estranho.
Eu ia te buscar na rodoviária e enquanto esperávamos numa fila para poder pegar o ônibus e ir aqui para casa, um cara tentou falar com você.
Ele disse que você era linda e que se você estivesse sozinha ele "não perdoaria". Eu estava atrás de você. Poderia simplesmente ter ouvido você respondê-lo ou ter te abraçado, mas o que fiz foi te puxar pelo braço e sair dali.
No sonho mesmo senti vergonha. Lembro de pensar que queria que você fosse livre para escolher ficar ou não comigo e que você se irritaria demais comigo. Mas você nem brigou. Pareceu querer saber porque fiz aquilo, pareceu querer conversar comigo.
Aí eu acordei e pensei porque agi daquele jeito. Cheguei a conclusão que fiz o que fiz porque tive medo de que você achasse esse outro mais interessante, tive medo de te perder. Aí lembrei que já tinha te perdido.
Passei o dia todo pensando no sonho. Acho que sempre tive medo de te perder para outro. Mas veja só que ironia; o que colocou um fim na gente foi a gente mesmo.
... Você sempre foi tão linda, tão inteligente, tão encantadora e tão tão que não fazia sentido você comigo. Espero do fundo do meu coração que você consiga perceber tudo isso e que encontre vontades que a façam querer viver.
Porque você, ... menina, é especial.
Thiago Dantas às 11:30 PM
Sexta-feira, Maio 07, 2010
Fiquei sem ar. Acho que morri um pouquinho.
... Agora é só esperar os dias passarem, até tudo acabar de vez.
Quanta tristeza.
Thiago Dantas às 11:59 PM
Domingo, Maio 02, 2010
... E eu tinha essa sensação de que o que escrevia era verdade absoluta, que as coisas faziam sentido não só pra mim, mas para os outros.
Toda vez que eu ficava de saco cheio do o mundo eu ia lá fazer um discurso enorme, traçar metas e pontuar um final com algo "a partir de agora será assim". E o mais surpreendente é que era.
A cada texto, a cada linha ou mesmo a cada palavra eu tinha certeza de quem eu era. Eu era o que estava escrito e o que estava escrito era eu.
Mas aí eu parei com isso. Algo me disse que tudo não passava de uma grande bobagem; um grande drama de um garoto burguês que não sabia escrever. Lógico que concordei. Os problemas existiam mesmo ou estavam só na minha cabeça? Passei a ter vergonha até em pensar coisas do tipo.
... O que eu não sabia era que eu precisava das palavras para continuar sendo eu mesmo. Hoje não escrevo.
Sou um perdido que tem preguiça da vida.
Thiago Dantas às 9:04 PM
Sexta-feira, Setembro 25, 2009
Hoje é meu aniversário.
Thiago Dantas às 9:28 PM
Segunda-feira, Setembro 07, 2009
Ele pensava. Ela sentia.
Ela pensava. Ele sentia.
Thiago Dantas às 8:37 PM
Segunda-feira, Agosto 31, 2009
... Aquele desespero que só quem já desejou de verdade já sentiu. A pressa em chegar em casa, tirar os sapatos, tomar um banho e vê-la. E vê-la.
E no fim ter toda ansiedade compensada com um.
Thiago Dantas às 5:15 PM
Domingo, Agosto 23, 2009
Tudo vai ficar bem. Tudo vai ficar bem. Tudo vai ficar bem. Tudo vai ficar. Merda! Nada vai ficar bem.
Por mais que tentasse se convencer que as coisas dariam certo, ela sabia, em seu íntimo, que estava perdida.
E estava mesmo.
Thiago Dantas às 5:06 PM
Sábado, Agosto 22, 2009
A noite ainda não tinha absorvido o dia quando a avistou de longe entre as pessoas. Lembrou de seu amigo apontando e tecendo um comentário qualquer sobre como a amiga de não sei quem era linda e divertida. Respirou fundo e a seguiu.
Enquanto descia as escadas do metrô pensava na melhor maneira de falar. Não lembrava do nome e também não conseguia lembrar de nenhuma cantada que funcionasse. Já estava quase chegando a plataforma quando pensou em começar do zero. É, faria isso. Ia se apresentar como um completo estranho, talvez um funcionário do metrô. Se tudo desse certo ela responderia sua "pesquisa de satisfação" idiota e não lembraria dele.
A escada terminou antes que conseguisse pensar em um tema para sua pesquisa. Parecia cena de filme. O trem que estava parado, quase saindo e ele teve a nítida sensação que, ao empurrar os transentes, quase derrubara uma velhinha. Entrou a tempo. Recompôs-se e ficou olhando para ela.
Os cabelos desgrenhados e lisos escondiam um rosto redondo e bonito. O nariz, altivo, dava um ar prepotente e infantil. Era impossível saber como ela era. Fitou por 3 segundos a boca e reparou num detalhe que não tinha percebido antes: quando fechada, ela parecia um coração. Sem pensar em nada, simplesmente se aproximou.
- Boa noite, meu nome é Marcelo Alves, trabalho no metrô e queria saber se você pode responder uma rápida pesquisa.
O rosto da garota se iluminou. Mais perto, ele pôde perceber o quanto o sorriso era bonito. Analisando o conjunto, chegou a conclusão que não era prepotência que a menina escondia. Era outra coisa.
- Claro. Pesquisa sobre o quê?
- Sobre... sobre acidentes. Você tem medo de ficar presa aqui embaixo?
- Não, não mesmo. Por que? Isso aconteceu recentemente?
- Sim. Um grupo de pessoas ficou retido por quase duas horas devido a uma queda contínua de energia. Nem mesmo os geradores foram capaz de trazer o trem de volta a plataforma.
- Isso é horrível!
No momento em que inventou essa história absurda, as luzes do trem piscararam por um minuto. A parada brusca que ocorreu no instante seguinte veio dar credibilidade ao que acabara de contar. Ficou aliviado. Não era mais um maluco que assombrava mulheres. Por um momento ele sentiu medo, mas encontrou coragem nos olhos da menina quando vislumbrou-os pedindo ajuda. A iluminação voltou ao normal e o desespero no rosto de ambos tinha sumido. Não demorou muito e o trem voltou a seu fluxo. Dessa vez, foi ela quem voltou a falar.
- Ufa! Se acontecesse algo do tipo eu ia achar que era pegadinha.
- Não, não. Nossos profissionais não permitiriamos que isso ocorresse de novo.
Tentaram trocar um sorriso, mas o silêncio pesado não permitiu. Depois de alguns segundos tudo que ele pôde dizer foi "Obrigado".
Saltou da estação frustrado e subiu as escadas para a avenida principal um pouco perdido. A noite começava a ficar mais escura, como se estivesse acompanhando o declínio dele. Enquanto tentava respirar mais fundo, a estranha de sobre-tudo castanho passou apressada pela outra ponta da rua.
Correu em direção a ela, tocou seu ombro e ficou apavorado por não saber o que dizer. E ficou arrependido por ter agido de um jeito tão impulsivo. E ficou como um garoto medroso de novo.
"Ela vai me achar maluco. Lunático por persegui-la. Oh, meu Deus, o que eu faço agora?"
Os pensamentos se disfizeram quando o coração se abriu num afetuoso sorriso. Ele já tinha vivido um bom tempo para saber o quanto é incomum uma garota abrir seu coração assim, num primeisegunterceiro encontro.
- Pensei que não fosse encontrá-lo! Você saiu do trem muito rápido!
- É, eu tinha que...
- Quer ir até minha casa? A propósito, muito prazer, meu nome é Paula.
Marcelo não estava entendendo mais nada, por isso foi. Depois de uns anos lembrou-se desses momentos e só pôde chegar a uma única conclusão: o amor, definitivamente, não faz sentido. Ainda bem.
Thiago Dantas às 8:40 PM
Quarta-feira, Agosto 05, 2009
Sempre sinto sua falta. Tem dias que sinto mais, sem nenhum motivo aparente. Só sinto.
Nos aniversários, por exemplo, sou só saudade.
Lembro da sua mão gelada, dos faróis vermelhos, da vontade de roubar seus beijos, de como você gosta de enrolar seus cabelos. E aí quando lembro, o coração vai ficando pequeno, apertado, até doído.
Acho que saudade é assim mesmo. Tem dias que a gente sente.
Hoje eu sinto. Amanhã também.
Thiago Dantas às 6:58 PM
Terça-feira, Agosto 04, 2009
Dançava.
Mexia os pés. Balançava a cabeça. Girava a vassoura como se estivesse conduzindo.
De olhos fechados, a sala era grande. Desviava dos móveis, graciosa, desculpando-se todo o tempo para ninguém. O sorriso transbordava os olhos e as mãos seguiam o ritmo de seu corpo.
Até a poeira brincava junto flutuando pelo ar. A casa era dela, só dela, e ninguém seria capaz de dizer o contrário.
Mas de repente, acometida por uma sensação estranha, percebeu que estava sozinha. Sozinha. Abriu os olhos. O riso que acompanhava sua face transformou-se em poucos segundos em medo. Não, não era só medo. Era pânico.
O que ela fazia ali, no meio da sala? A vida tinha mesmo se resumido a solidão de um dia de sol ao som de uma música boba? Era terrível demais para ser verdade. Simplesmente terrível.
Ficou paralisada por alguns instantes e lembrou que precisava respirar.
Por entre as pálpebras vislumbrou a poeira contra-luz. Deixou de pensar em si e passou a pensar na casa. Puxa, que bagunda estava aquela casa! Segurou a vassoura com severidade e varreu toda sujeira determinada. Quando estava quase acabando, o telefone tocou.
"Bom dia!", ele disse. Ele não podia ver, mas do outro lado havia um meio sorriso. E uma vontade louca de dançar.
Thiago Dantas às 6:38 PM
Segunda-feira, Agosto 03, 2009
Meu café da manhã foram hamburgueres. Eu sei, eu sei, nada saudável. Mas se alguém permitir quero usar algo em minha defesa: a maionese que passei no pão era light.
Aqui em casa a gente só usa maionese light. A embalagem é mais bonita e delicada e a textura menos consistente se comparada a maionese comum. Quanto ao gosto, sinceramente falando, não sinto diferença.
Lembro que quando eu tinha uns 10, 11 anos adorava ir ao supermercado. Chegava a discutir com minha vó e minha mãe sobre quais produtos de limpeza levar. Nunca usei esses produtos, até porque não faço absolutamente NADA em casa (para que tenham uma idéia, eu nem forro minha cama), mas sempre gostei daqueles com embalagens bonitas e fazia o diabo para que acatassem minhas... humm... sugestões/imposições.
Acho que isso diz um bocado sobre minha família, né? Ou sobre mim. Deixo-me seduzir por aparências, gosto de coisas bonitas e não ligo muito se é útil ou bom. Sendo sucinto, sou superficial. That's all.
Thiago Dantas às 11:40 PM
Domingo, Agosto 02, 2009
Desde pequena ela detestava com todas as forças o talvez. Por que os adultos não diziam logo "não" e pronto?
Teve aquele dia que o circo chegou a cidade. E ela ficou encantada olhando da janela os palhaços, elefantes e bailarinas. Se imaginou por meio momento na rua, junto com eles. Depois só conseguiu pensar em ver o show. Resistiu e venceu o sono para esperar sua mãe, que chegou bem a noitinha do trabalho. Mesmo cansada (de trabalhar por 10 horas, de esperar a mãe até às 23h00) elas conversaram. A menina contou empolgada o que tinha visto.
A mãe ouviu atenta com um sorriso distante. Pensou que ela estava crescendo. Em seguida se esforçou para lembrar quando foi a última vez que a viu acordada, falando daquele jeito. Aqueles dias estavam sendo díficeis. Acordava cedo, cedinho para conseguir chegar a velha loja de vestidos. Chegava em casa tarde, bem tarde, querendo dormir e dormir. A ternura transbordava dos seus olhos quando beijou a testa da menina e disse que, se tudo desse certo, elas poderiam ver o circo. Talvez no domingo.
Até hoje não há nenhum registro que se aproxime da espera da menina. Nunca, em momento nenhum da história, um domingo demorou tanto para chegar. Mas chegou. Eram pouco mais de 7 horas quando ela sacudiu a mãe, que resmungou qualquer coisa e voltou a dormir.
Com o tempo ela entendeu que não foi por maldade ou nada do tipo. O corpo precisava daquilo, a mãe precisava de descanso. Naquele ano o circo ficou pouco mais de 2 semanas na cidade, e a menina preferiu nem vê-los partir pela janela.
Agora ela era grande. E além de grande adulta.
Por que os adultos não diziam logo "não" e pronto? A pior coisa do mundo é o talvez.
Pelo menos era isso que ela achava. Naquele dia, mais tarde, ela descobria que por trás de um talvez existiam as possibilidades.
Thiago Dantas às 8:48 AM
Sábado, Agosto 01, 2009
Primeiro de agosto.
O dia amanheceu frio, como todos os outros dias que antecederam aquele. Ainda deitado, procurou fechar os olhos e prender os resquícios de sonho que ainda sobravam. Não adiantou.
Em pouco tempo estava em pé, pronto para rotina, mas não tão pronto para vida. Encarou seu rosto no espelho e antes de escovar seus dentes mecanicamente ficou confuso enquanto olhava. Quando aquele estranho refletido no vidro tornara-se ele? Se alguém visse de longe gritaria bem alto "Cuidado!". Para sorte dele, nenhum aviso foi necessário e a estranha sensação se dissipou em poucos segundos.
Procurou algo nos armários para comer, mesmo estando sem fome. Parou no meio da cozinha segurando o pacote de pães e não soube o que fazer. Comer aquilo era mesmo uma necessidade ou um era mais um hábito rotineiro de uma vida morta? Como se pressentisse o que estava por vir, escolheu a opção mais segura. Comeu o pão, bebeu o leite e sentou-se. Olhou as horas, olhou a cozinha, olhou o nada e ficou com medo. Voltou para sua cama (que ainda estava bagunçada) com uma pressa que seria facilmente confundida com desespero. Deitou.
Por hora ele estava seguro. Mas por dentro ele sabia que mais cedo ou mais tarde a vida viria. Que fosse mais tarde.
Thiago Dantas às 2:39 PM
Quinta-feira, Julho 02, 2009
Hoje fui ao cinema assistir Apenas O Fim.
Thiago Dantas às 9:08 PM
Quarta-feira, Julho 01, 2009
(:
Thiago Dantas às 10:33 PM
Domingo, Junho 28, 2009
Michael Jackson morreu. Minha vida tá mais triste.
Ok, minha vida não tá mais triste por isso. Mas isso não invalida ambas as frases como verdades, não é?
Thiago Dantas às 8:31 PM
Sábado, Junho 13, 2009
Pensando nessa coisa toda de relacionamento e olhando em volta percebi uma coisa: as pessoas sempre buscam alguém para acompanhá-las ao longo da vida, seja para ter apoio ou partilhar sonhos. Elas amam e desamam com uma facilidade que me assombra. Como se todo mundo fosse descartável, como se não importasse o quem e sim o quando. Sou avesso, não procuro alguém. Eu quero você.
Thiago Dantas às 8:05 PM
Quinta-feira, Junho 11, 2009
Errei, errei feio. Magoei, feri, manchei.
Sou díficil. Tem dias que tudo que eu quero é ficar quieto e não dizer nada. Tem dia que tudo que penso são coisas ruins. O que não muda na minha rotina é que todos os dias eu preciso de você. Minha falta de jeito me faz querer chorar. Sinto sua falta por dias a fio e quando tenho a chance de falar acabo estragando tudo. Tudo errado. Sou todo errado.
Dia desses eu tava triste. Muito triste. Acho que ainda tô, essas coisas não passam. Pelo menos não de uma hora pra outra. O ponto é que nesses dias, vi o quanto você fez para me fazer feliz. Palavras, atitudes, tudo. E isso me deixou TÃO feliz que tive vontade de chorar. Ninguém no mundo é como você. Ninguém faria tanto. Você me deu e me dá tudo, o mundo. Fico com vergonha e tenho vontade de morrer só de pensar que não posso retribuir. Quando você me diz que tá triste, tudo que quero é que você fique bem. Daria tudo pra que isso acontecesse. E tudo que consigo dizer são coisas que não ajudam. Tenho medo de perguntar como você vai. Não sei reagir quando você fala que tá triste, com raiva ou coisa assim. A verdade mesmo é que sou todo errado. E redundante. E repetitivo. Acho que algumas verdades não mudam.
... Vou te amar incondicionalmente. Vou ficar calado de vez em quando. Vou estar feliz, triste, cansado, falante, quieto, chato (como sempre). Não vou repetir os mesmos erros e não vou desistir de ser alguém melhor pra você. E vou fazer de tudo pra te fazer feliz. Se quiser, vou estar aqui. Isso é tudo que posso oferecer.
Thiago Dantas às 10:18 PM
Segunda-feira, Junho 08, 2009
Eu não sei falar.
Isso não é uma desculpa, é uma constatação. Mais que isso: um fato.
De vez em quando eu tento. Começo a articular palavras e formular frases, mas de repente os pensamentos e as idéias se misturam e eu não consigo me fazer entender. Parece até que tudo que eu digo é uma tremenda contradição, como se eu fosse um paradoxo ambulante. No entanto, pra mim, as coisas seguem uma lógica tão precisa que fica díficil explicar tudo de outro jeito. Quero dizer, isso que eu tô dizendo agora é um ótimo exemplo. Sendo conciso; só quero dizer que não desisti. Eu amo você, menina. E quero MUITO que a gente fique junto. Pra sempre.
Thiago Dantas às 1:41 AM
Quinta-feira, Junho 04, 2009
Ontem foi um dia frio. Ou um dia triste, não sei. Tem dias que acho que confundo frio com tristeza. Se bem que ontem, acho, senti ambos.
Thiago Dantas às 5:51 PM
Terça-feira, Junho 02, 2009
Bom dia, blog!
Dormi por uma hora e meia de ontem pra hoje. Fiquei acordado até tarde fazendo um trabalho lá pro trabalho. Não que eu esteja ganhando mais nem nada disso, mas os elogios valem a pena.
Fez muito frio aqui na minha cidade. Tão frio que me vesti duplamente: duas blusas, duas calças, duas meias. Quase morri de calor quando deu a hora de ir embora. O curioso é que meu pé tá gelado de novo.
Tô com fome. Vou almoçar e ir pra aula. Atendimento hoje. Adoro demais quando dá pra brincar de ser publicitário. Pena que a empolgação dura pouco e depois eu volto a ter vontade de ser nada. Ah, só pra constar, isso não é uma lástima, ok? Só um comentário besta e sincero.
Sábado tem show dos Ecos Falsos junto com o Banzé lá no Inferno. Tô querendo ir, mas não sei. O show é legal, mas fico quebrado e tenho MUITO trabalho para por em dia. Fora que tô com saudade de ficar à toa em casa vendo filmes e comendo o dia todo. Eu disse que tô com saudades? Fiz isso domingo, haha! Se alguém se dispuser a ir comigo, eu vou. Ecos é mesmo legal e vale sair de casa. Quase fico com vergonha de falar essas coisas bestas, mas agora eu posso. Ninguém mais lê isso aqui. (:
Observação importante: Amiel é uma garota muito talentosa. Voltei a escutar e tive certeza, mais uma vez.
Thiago Dantas às 5:39 PM
Não quero viver de olhos fechados. Segurança é importante. Ter chão e perspectiva também. Às vezes sinto que não tenho nada disso e só fico confortável quando tudo tá escuro. Ninguém pode viver de olhos fechados. Aliás, quem iria querer isso? Eu não quero viver de olhos fechados. Porque as melhores coisas aconteceram quando meus olhos estavam bem abertos, vendo você.
Thiago Dantas às 1:11 AM
Domingo, Maio 31, 2009
Gosto de fechar os olhos e ver meus pensamentos dançarem feito luzes dentro de minhas pálpebras. Nessas horas a tranquilidade, aquela mesma que perdi há tanto tempo, parece voltar e me puxar de volta para vida. Posso respirar aliviado porque sinto que não perdi tudo aquilo que perdi. Posso até sorrir por lembrar de algo bom e me sentir seguro de novo, como quando tinha você por perto. A saudade que durante o dia é gritante, se ameniza com suas sombras e seus sons dentro de mim.
... Mas ninguém pode viver de olhos fechados.
Thiago Dantas às 5:40 PM
Sexta-feira, Abril 24, 2009
Mesmo com o ar frio insistindo em atingir seu rosto com fortes pancadas, as pesadas roupas de frio faziam com que ela se sentisse quente.
O contrate do rosto e do corpo a dividia em dois seres distintos; seu corpo tinha carne, sangue e orgãos pulsando dentro da armadura de pano, enquanto seu rosto era uma mera máscara, sem sentido, sem expressão. Antes dos primeiros pingos de chuva começarem a cair, ela correu para casa.
A primeira coisa que fez quando chegou foi tirar quase toda roupa. Jogou as blusas, a jaqueta, a calça e a calcinha numa cadeira e pisou forte no chão. Ela queria sentir todo o frio, ela queria se sentir viva. Ligou o som baixinho e fechou os olhos.
Naquele momento, ela era uma só. Sem máscaras, sem panos, sem nada. Era só um corpo e uma vontade louca de dançar. E ela dançou.
Thiago Dantas às 7:15 PM
Quando a vida deixa de ser interessante e passa a ser só um amontoado de dias tristes, onde o riso e os sentimentos bons são cada vez mais escassos, só nos resta prestar atenção em outras vidas. Sendo sucinto, quando a nossa vida é uma merda, a gente observa a vida dos outros. Se adianta alguma coisa? Não, não adianta. Mas distrai.
Thiago Dantas às 7:15 PM
Sábado, Abril 11, 2009
Sabe quando disse que ficaria bem? Eu menti. Quero dizer, na hora que eu disse isso, mesmo estando me sentindo mal como poucas vezes na vida me senti, eu acreditei na remota possibilidade de ficar bem daqui a um tempo. Remota, mas naquele momento era tudo que eu queria. Não vou dizer que eu estava conformado com o rumo dos acontecimentos, mas eu sabia que tinha errado e eu (mesmo sem querer) precisava encarar: tinha estragado tudo, pra sempre. Então vislumbrei meu futuro inteiro em algumas possibilidades. A) Seria infeliz para sempre. Provavelmente conheceria outras garotas, gostaria de algumas, talvez repetiria os mesmos erros, sorriria para as fotos e... e por dentro seria triste e viveria pensando no que poderia ter sido com ela. Porque a certeza máxima que me restou depois de tudo (aliás, certeza essa que eu sempre tive) é que ela era a mulher da minha vida. B) A outra possibilidade seria desistir. Deixar de viver e sobreviver. C) Ah, e tinha aquela terceira que eu te disse. Ficar bem. Posso até ter pensado nisso, mas não saberia dizer como. Quando a gente tá no chão, sem perspectiva de futuro, sem noção do presente e sem vontade de nada, tudo que a gente quer é ficar bem. Mas sabe, eu trocaria toda a angustia e toda dor se ELA conseguisse sobreviver a isso. Eu sei que ela vai superar. Assim como eu sei que vão ficar marcas. Tudo que eu queria é que ela continuasse pura. Acreditasse nas pessoas, sorrisse, vivesse... fosse feliz. Trocaria tudo por isso. Só de pensar no tamanho da dor que causei tenho que fazer força para não chorar. Ela não merecia isso.
Sou um idiota. E isso não é uma justificativa, é uma constatação.
Thiago Dantas às 8:57 PM
Quarta-feira, Abril 01, 2009
Não.
Recuso-me a acreditar que as coisas são assim, desse jeito. Quero desaprender tudo que me deixa conformado com a vida. Esquecer que não tenho o que dizer e abrir a boca para falar mesmo assim. Preciso ser uma rebelião. E vou começar a partir de agora.
Vida, aí vou eu! ... Seja o que eu quiser.
Thiago Dantas às 6:15 PM
Queria muito escrever aqui diariamente e fazer valer a idéia inicial do 20-09. Mas não tenho o que dizer. Acreditei durante muito tempo que escrever era um exercício, bastava tentar. Pois bem, estou tentando.
Hoje aprendi que é preciso um pouquinho mais que esforço para escrever; é preciso ter algo para dizer. E adivinhem: eu não tenho.
Thiago Dantas às 6:10 PM
Quarta-feira, Março 04, 2009
O mundo se divide em dois tipos de gente: os que prometem e os que fazem. Eu sou do tipo que promete.
O tipo de gente que faz é um tipo bem simples de se entender. Não avisam com antecedência, não planejam, não pensam muito a respeito de suas ações. Só fazem. Já o tipo de gente que promete se divide em duas categorias: o tipo que cumpre e o tipo que não cumpre. Eu sou do tipo que promete e não cumpre. O tipo de gente que promete e cumpre é bem simples de entender. Eles prometem alguma coisa e cumprem. Centram-se na meta, formulam meios de obter resultado e não se dão por vencidos até conseguirem. Só cumprem. Já o tipo de gente que promete e não cumpre se divide em vários subgrupos; o tipo de gente que não cumpre porque não quer, o tipo que não cumpre porque não pode e o tipo que não cumpre porque esquece de suas promessas. Eu sou do tipo que não cumpre porque... Bem. Tá aí. Eu não sei o tipo de gente que sou. Seria muito fácil colocar a culpa na vida e dizer que sempre acontecem mil coisas que me impossibilitam de ir até o fim. Mais fácil ainda seria por a culpa numa memória ruim (embora minha memória seja péssima e tenha vontade própria, ainda sim acredito que seja uma péssima 'desculpa'). Resta-me pensar que sou do tipo que não cumpre porque não quer. Mas nem isso é verdade. Direito de defesa: sou do tipo que sente vontade, até se esforça, tem um pouquinho de azar, é meio displicente, eventualmente condescendente consigo e no fim das contas nada adianta muito.
Acho que sou do tipo que não cumpre promessas porque simplesmente não consegue.
Thiago Dantas às 5:59 PM
Segunda-feira, Março 02, 2009
Juro que pensei em postar algo legal e levar meu compromisso de dar as caras todo dia a sério. Mas gente, com esse calor de 40º de febre/queima pra valer/queima pra valerrrr ninguém se concentra! Quer dizer. Não gosto. Prometo que amanhã eu volto aqui e posto algo decente. Falando em decente, lembrei que há uns anos eu escrevia descente. Eu era baixo. Rere/
Ok, essa foi péssima. Beijo do gordo!
Thiago Dantas às 4:39 PM
Domingo, Março 01, 2009
Andei pensando em me ocupar. Voltar a escrever aqui todos os dias, ouvir música, ver filmes e ler livros.
Inventar motivos para não pensar no quanto a vida se parece com um buraco vazio, um vácuo de quês e porquês.
Deixar de pensar por um instante que tô sozinho, longe de quem eu realmente gostaria de estar. Esquecer que as tardes de domingo são só um monte de horas emboladas que já deixaram até de serem deprimentes, visto que a sensação é tão torpe e chata que não vale a pena ser sentida. E lembrar que dias ruins sempre acabam.
Viver é muito bom. Sobreviver nem tanto. Vou esperar essa coisa toda passar, afinal, uma hora a vida há de começar.
Thiago Dantas às 10:26 PM
Terça-feira, Fevereiro 03, 2009
Ele escreveu uma carta.
"É, eu menti. Não tô bem. Desculpa. Volta outra hora. Se não voltar, eu entendo."
Mas nunca entregou. Ela nunca voltou. será que desculpas fariam a diferença? Provavelmente, não. Mas sinceridade faria. Falar é tão simples.
Thiago Dantas às 7:59 PM
Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009
- O amor acaba?
- Acaba.
- ...
- ...
- Ah...
- Não chora.
- Por que acabou?
- Ei, eu disse que acaba. Não que acabou. Hoje, meu amor, te amo pra sempre.
Thiago Dantas às 10:03 PM
Domingo, Fevereiro 01, 2009
A viu de longe, mas não soube ao certo se era ela mesma. A postura ereta e as roupas elegantes não combinavam em nada com a menina desleixada pela qual tinha se apaixonado anos atrás. No entanto, lá dentro, ele sabia. Era ela.
Tomou coragem, ensaiou uma expressão neutra, sorriu e caminhou determinado.
Ela sorriu. Não só era ela, mas ela era a mesma. Perguntou sobre o que andara fazendo durante todos esses anos, falaram sobre amenidades e trocaram telefones, prometendo um ao outro que nunca, nunca mais perderiam o contato. Antes que ela fosse, no entanto, ele percebeu algo em seu olhar. Durou só meio segundo, talvez nem tivesse tido importância, mas aquele rápido olhar foi a propulsão que precisava para fazer perguntar aquilo que queria saber há tanto tempo. Então ele disse.
- Por que não?
- Por que não?
- Por que você não...
- Ah, não. Não precisamos falar disso.
- Eu preciso saber, Maíra. Por favor.
Ela o fitou por dois momentos, fechou os olhos e antes que pudesse abri-los começou a falar num só fôlego.
- Não era pra ser um não, Pedro. Por isso que eu fiquei muda. Seria mais fácil dizer sim, reconheço. Mas entenda, Pedro. Quando alguém espera e sonha ouvir dizer o que você me disse... É díficil reagir, a gente fica estagnada. É muito bom pra ser verdade, é muito bom para mim... E você correu antes que eu pudesse responder.
- Eu esperei em silêncio por quase dois minutos. Não soube o que pensar. Pensei ter acabado com nossa amizade. Pensei que você me odiasse. Foram dois minutos. Dois minutos inteiros e nenhuma palavra, nenhum gesto, nenhum nada. Eu esperei por dois minutos.
- ... E eu esperei para dizer por 9 anos.
- Dizer o quê?
- Dizer sim. Sim, Pedro, eu digo sim a seu pedido. Ainda quer namorar comigo?
Thiago Dantas às 10:54 AM
Sexta-feira, Janeiro 30, 2009
"Às vezes eu queria que essas histórias de era uma vez acontecessem de verdade.
Digo, eu sei que acontecem.
Mas bem que poderia ser comigo, pelo menos uma vez."
15/08/2006
Veja só como as coisas são. Hoje, poucos anos depois, posso dizer que aconteceu comigo. Mais de uma vez, mais que histórias. A vida real é tão mais intensa. A diferença é que não tem feliz pra sempre no final. Mas quem precisa de um final quando se tem... amor.
Thiago Dantas às 7:53 PM
Domingo, Janeiro 04, 2009
- Ah, eu sempre soube.
- Mas como? Isso é impossível!
- Micaela, nem adianta explicar. Você nunca entederia.
- Tenta a sorte, você não tem nada a perder.
- Ok. Quando a gente sente o que ele e eu sentimos, acontece meio que uma ligação, algo mágico... Tudo que ele passa eu sinto e vice-versa.
- Ah... Igual aquela história de irmãos gêmeos que passou naquela novela?
- Não, Micaela, não. Deixa de ser burra. Aquilo é ficção. O que eu tô falando é de amor.
- Alexandra, burra é seu nariz, ok. Agora você quer me convencer que sabia que ele te amava? Qual é, sou ingênua mas nem tanto.
- Micaela, Micaela! É claro que eu sabia. Porque quando a gente ama...
- Ouve sininhos quando se beija. Haha!
- Olha o deboche, garota!
- Tá, tá legal, desculpe. Então vamos supor que você realmente sabia. Soube desde sempre ou foi avisada por anjos?
- ... Você nunca entenderia.
- Qual é, tenta me explicar. Prometo ficar quietinha.
- ...
- Por favor!
- Ok. Um dia estavamos saindo da escola e pouco tempo depois começou a chover. Ele, que já tinha ido na frente, voltou correndo, todo molhado. Aí ele esbarrou em mim e me olhou bem fundo nos meus olhos.
- Foi nessa parte que você descobriu?
- Ainda não. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me abraçou forte, me deixando ensopada. Ele riu meio sem graça achando que eu ficaria brava, mas eu nem me importei. Tudo que eu queria era...
- Foi nessa parte que você ficou sabendo?
- Não, Micaela, não. Como eu ia dizendo, tudo que eu queria era que ele me beijasse. E ele me beijou. Depois sorriu e continuou olhando nos meus olhos.
- Foi nessa parte?
- Não. Aí ele me beijou de novo. E de novo. E de novo. O sorriso dele era lindo! Quando finalmente tomou fôlego ele disse que gostava de mim e pediu para ficar comigo, pra sempre.
- Ah... foi nessa parte então?
- Exato! Bem nessa hora meu coração me avisou. Meu peito ficou apertadinho, meu coração... ah! Meu coração quase saiu pela boca. O ritmo acelerado e a excitação do momento era o jeito que meu corpo tinha encontrado de me dizer que era ele. E que ele sentia o mesmo por mim.
- Alexandra, me desculpe por todo o sarcasmo, vocês realmente tem uma ligação.
- Eu disse!
- Realmente! Quer dizer, em uma situação como a que você me descreveu, só mesmo um sinal que partisse de dentro pra avisar você que ele era o cara.
- Eu sei!
- É, é claro que você sabe. Seu coração te avisou. Por um momento eu pensei que o fato dele ficar te olhando, ter te beijado 4 vezes e ainda ter dito que "queria ficar com você pra sempre" tivesse alguma influência nessa coisa de você "achar que era ele". Mas não! Não foi nada disso. Foi seu coração.
- Pera aí, Micaela. Você tá tirando uma com minha cara?
- Tô. Deixa de ser tapada, menina! Onde já se viu? Coração não fala.
- Fala sim! E quer saber? Cansei de perder meu tempo aqui contigo. Sabia que você não entenderia. Aliás, você nunca vai entender. Dá licença que eu tenho que ir.
- Certo, certo. Não precisa ficar nervosa! Tchauzinho, Alê!
- Argh. Tchau.
Sentava no degrau de sua casa, Micaela ficou observando a rua vazia, ao mesmo tempo que desejava ter toda a sorte da amiga. De repente, sentiu um aperto no peito. Olhou ao redor e não viu ninguém, só o vulto de Alexandra ido pra longe, bem longe. Ficou sem ar.
Quando acordou, na cama do hospital, não se lembrou de nada, só da dor que havia sentido antes de cair.
É Micaela, às vezes o coração fala.
Thiago Dantas às 2:35 PM
Ontem a noite eu quase morri. Não, eu não "quase morri" de verdade. É só modo de falar, exagero mesmo.
Tive febre, dores e mais dores. E vejam só, eu quase nunca tenho dores. Mas ontem eu tive. Achei até que eu ia morrer. Ok, não achei que eu ia morrer de verdade. Até em meu delírio de febre eu sabia que era exagero.
Quando acordei hoje cedo, sem febre, mas com dores, tudo que pensei foi "ah, acho que tô doente". Prazer, sou Thiago Dantas e esse é o meu blog. Passa amanhã que terá post novo. Se eu não morrer.
Thiago Dantas às 12:05 AM
Quinta-feira, Janeiro 01, 2009
Todos estavam longe.
Era a primeira vez que ela passava de um ano para outro sem o pai. Sem o pai e sem a mãe. A mãe estava a quilômetros de distância. Na verdade, ela duvidava que a mãe tivesse conseguido chegar tão longe. Provavelmente, ainda estaria na estrada, prestes a estourar champagne e comemorar o ano novo com estranhos. Já o pai, talvez no céu, olhando por ela.
Desligou o celular para não receber mensagens e entrou no chuveiro. Aproveitou a casa vazia para ouvir música no volume mais alto. Tentou esvaziar a cabeça. Imaginou os pensamentos descendo pelo ralo junto com a água. Até que, de repente, todos os pensamentos tinham virado um só; ela pensava nele e só nele.
De todas as pessoas, vivas ou mortas, amigos ou não, era só nele em que pensava. Por um segundo sentiu culpa por não lembrar do pai, mas desculpou-se baixinho pelo inevitável. Tentou comer a ceia improvisada, tentou cantar mais alto que o som, tentou ver filmes, tentou dormir, tentou até destrancar as janelas e distrair-se com os fogos. Conseguiu.
Os olhos seguiram os pontos de luz que se desmanchavam no céu. Por um momento sentiu um nó na garganta. Era meia-noite. Novo ano. Ano novo. Cruzou os braços em volta da barriga, como se abraçasse a si mesma. Olhou para o céu e viu os anjos sorrirem. Os pensamentos explodiram como rojões, estilhaçando pedacinhos brilhantes por todo o espaço. Pensou na mãe, pensou no pai, pensou nele. Sentiu todos perto, pertinho. Fechou os olhos e sorriu.
Feliz ano novo.
Thiago Dantas às 10:50 PM